Uma tarde com Sócrates era o grande sonho de Steves Jobs, que disse que trocaria toda sua tecnologia por um encontro com ele.

E como, segundo Einstein, a imaginação nos leva a qualquer lugar e não somente do ponto A ao ponto B, permitamo-nos imaginar-nos nesta tarde maravilhosa com o grande Mestre grego, visualizando uma Educação Integral para o mundo atual.

Para voarmos nas asas da imaginação científica/educacional, esta resenha crítica está baseada na investigação histórica da educação e da filosofia na Antiguidade. Para isto, tomamos como referenciais o historiador francês Henry Marrou e os famosos livros de Platão – Apologia de Sócrates e Diálogos-, o grande discípulo de Sócrates que a história oficial nos apresenta. Direto então a este diálogo com Sócrates nesta metáfora criativa.

Aragol: Mestre… queremos ter a honra de que nos faça uma Maiêutica ou Parto de Idéias sobre suas concepções educacionais, para dar à luz idéias inovadoras sobre nossa educação integral para o século XXI.

Sócrates: O que quer exatamente?

Aragol: Fale-nos primeiramente sobre vossas principais concepções sobre a educação.

Sócrates: bom, é muito simples… só pode haver educação se existir amor e admiração do discípulo pelo Mestre. A propósito, como estou convicto de que, o que sei, é como se nada soubesse, você pode falar na primeira pessoa comigo e façamos tudo muito simples, ok?

Aragol: Ok grande Mestre… bom … Sócrates. Uau! É difícil falar assim com você, mas isto aumenta minha admiração e assim seus ensinamentos serão melhor assimilados. Pois, até hoje, passados 25 séculos, é uma sabedoria básica dizer por experiência própria que gostamos das disciplinas escolares em função de nossa empatia com o professor.
Sócrates: Professor? O que é isto? Você quer dizer … Mestre?

Aragol: não… se chama professor hoje em dia, pois nos últimos séculos, especialmente há uns 200 anos, começamos em nosso planeta uma educação massificada onde cada professor tem muitos alunos, às vezes mais de 100, e de sua própria língua grega, a-luno quer dizer sem luz, verdade?
Sócrates: Mas seus professores têm luz própria para iluminar todo este montão de alunos?

Aragol: Oxalá fosse assim! Pois o professor atual se tornou um mero repetidor de informações e conhecimentos que ele tenta repassar ao aluno, provando com perguntas, depois do ensinamento, se o aluno aprendeu o que ele ensinou.

Sócrates: Espera… você quer dizer que alguém que não tem luz própria tenta passar para os outros uma luz que não tem?

Aragol: Ah… Sócrates, não se trata de luz, de iluminar nada, apenas de repassar conhecimentos… pois depois de muitos séculos, a humanidade acumulou tanto saber que a problemática atual da escola é justamente tentar repassar todo este monte de conhecimentos aos alunos.

E antes que você me pergunte o que é isto de escola, lhe digo… não é seu estilo de Academia com seus discípulos, é um monte de professores com muitos alunos em salas de aula em edifícios imensos! Com temas que quase nunca favorecem o desenvolvimento humano. Faz uns 800 anos, as escolas mais refinadas começaram a chamar-se Universidade, como que um só Universo. O que importava era transmitir conhecimentos para que os alunos pudessem ajustar-se bem a seu meio ambiente social, mesmo se aí também começaram pesquisas para criar um novo saber. Mas o pior problema é que seu método de perguntar aos discípulos se acabou completamente, porque os professores atuais não perguntam nada para os alunos e esses também, como que não podem perguntar nada. Bom… podem, mas não perguntam, e se perguntam é com muita vergonha de parecerem ignorantes ou então perguntam para afrontar o professor ou a total autoridade deste. Ou seja, se criou literalmente em muitas escolas uma guerra professor/aluno.

Socrates: µµµ∞∞??? Vergonha de perguntar? …..

Aragol: Desculpe por tantas revelações decepcionantes, Sócrates! E antes que você me pergunte sobre os métodos de ensino, simplifico tudo dizendo-lhe que, depois de você, se passaram alguns séculos de trevas na Idade Média, como os historiadores o chamaram e depois veio o século das luzes da razão ou iluminismo, de novo. Neste, alguns pensadores como os franceses Montaigne e Rousseau tentaram mostrar a importância de se criar uma educação que levasse em conta a liberdade do espírito humano, visto como um todo. Várias tentativas vieram depois, de Dewey, Piaget, Montessori e outros para criar uma educação progressista, e também outros como Carl Rogers para uma educação humanista, que levasse em conta o desenvolvimento da pessoa. Mas o que reinou realmente foi um ensino massificado chamado comportamentalismo, no qual o mais importante era educar gente como se adestra animais. Este tipo de ensino foi testado nos Estados Unidos com Skiner e na Russia com Pavlov, se espalhando pelo resto do mundo já que estes dois países detinham a hegemonia mundial. O objetivo era modelar o comportamento humano para fazer com que os homens trabalhassem muito e fossem mais efetivos na criação de uma civilização tecnológica, onde o fazer e o ter era mais importante que o ser.

Aragol: Mas… mesmo se você está fazendo muito bem sua Maiêutica e me pergunta tudo, também quero perguntar-lhe algo, posso?

Socrates: sim, claro! Estou muito curioso para ver suas perguntas, passado tanto tempo…

Aragol: que lhe parece o ideal educativo do grande poeta Homero, que 400 anos antes de seu tempo, quis educar o corpo humano com a poesia com o objetivo de ensinar aos homens a superação física nos jogos olímpicos gregos?

Socrates: todas nossas tentativas, com meus discípulos, foram de demonstrar que o homem não é essencialmente seu corpo, mas sim um ser racional. Homero e todo seu séquito de seguidores haviam avançado em seu tempo, reconheço, demonstrando que os homens não deviam apenas adestrar-se para a guerra mas também aprender a superação física em competições como os grandes jogos de Olimpia, e também educa-los na poesia. Mas isto foi elevado a algo tão divino, que todos começaram a pensar que o corpo físico era o máximo dos máximos!

Aragol: Sim! Sabemos hoje que foi um grande salto na humanidade esta sua concepção, que começou a ver que o homem era mais que simplesmente seu corpo físico, e que a luz da razão devia imperar. Mas já no seu tempo, os egípcios pensavam que o homem era um ser emocional, que seu centro era o coração e não a razão. Seu grande conterrâneo Pitágoras, um pouco antes de você, havia estudado com os egípcios e sabia bem deste segredo, verdade? E sabe que, depois de um grande pensador chamado Freud, e especialmente nos últimos 25 anos, o pesquisador Daniel Goleman retornou a essas concepções egípcias e tentou confirmar que a emoção é algo essencial e que era fundamental dar-nos conta que a educação racional não era tudo; que necessitávamos incluir algo mais, uma alfabetização emocional, pois realmente vimos que não temos autocontrole emocional e explodimos com as adversidades diárias.

Socrates: Ah, sim? Que bom, porque em minha ignorância total dentro das luzes do conhecimento, sempre suspeitava que a coisa era maior do que pensava então minha vã filosofia. Claro que sempre vi o homem como um todo, mas o que faltava em minha época era a luz da razão…

Aragol: Que maravilha lhe escutar, Sócrates! E sabe que as ultimas pesquisas epistemológicas e educativas demonstram… imagine o óbvio… que o homem é um ser integral, total, sem fronteiras, sem limites, como diz um grande Mentor, Suryavan Solar, de um país chamado Chile. Ele avança as concepções de homem e de educação frente às grandes correntes educativas dos últimos 30 anos, chamadas pedagogias mediatizadas pelas interações sociais, de Vigotzky, Luria e Leontiev. Eles dizem que, antes de educar os estudantes, são os professores que devemos mediatizar e fazer-lhes acreditar novamente na “zona de desenvolvimento potencial”, ou, em palavras de outros grandes seres como Buda, Jesus, Nietzche e Einstein, que o homem é um Deus, um Super Homem, um Genio, e que o único que importa é fazer-lhe acreditar demonstrando-lhe este seu potencial ilimitado.

Socrates: Será um grande prazer conhecer este Mestre atual, como é mesmo seu nome?

Aragol: Suryavan Solar, o qual avançou nos últimos 30 anos esta concepção da totalidade do ser humano para a formação deste, em seu corpo, razão, emoção e espírito. Claro que dividimos em todas essas partes para apresenta-lo melhor em termos didáticos, mas evidentemente a coisa não funciona assim e é esta Visão da formação de seres e líderes integrais que está em questão atualmente neste nascimento da primeira Pós-Graduação Condor Blanco no Brasil. Pois decidimos investir no avanço do conhecimento científico e educacional a nível universitário para solucionar esta questão de um ensino teórico em sua maior parte e apenas no final um trabalho pratico de conclusão do curso, realizando um ensino onde a teoria e a prática estão sempre lado a lado como única possibilidade de aprendizagem.

Outra problemática que queremos solucionar com este sistema educacional é de criar no aluno a vontade e o prazer de aprender, elevando-o da categoria de a-luno (sem luz) para a de aprendiz que quer aprender a liberar-se de paradigmas limitantes, desenvolvendo e iluminando seus potenciais. Para isto, ele necessita um facilitador para conduzi-lo neste processo e não apenas um professor com o objetivo de repassar conhecimentos em grande parte obsoletos e sem interesse para o aprendiz.

Enfim, a grande questão deste ensino inovador é recuperar seu método da maiêutica de ensinar perguntando aos aprendizes, para fazer este Parto de Idéias do que o aluno já tem como bagagem cognitiva e poder assim fazer a assimilação total dos conhecimentos fundamentais em seu quadro mental. Pois, como disse o grande epistemólogo francês Bachelard, se não há questão, não pode haver conhecimento científico nem nenhum tipo de saber. Mas o mais interessante de tudo isto é que atualmente estamos voltando a pensar que seu estilo de educação individualizada era e é a melhor de todas, mesmo colocando vários alunos na mesma classe, e é o que pretendemos fazer.

Aragol: Para terminar, Sócrates, você sabe que até hoje os filósofos estão tentando decifrar o motivo principal de sua morte, pois te condenaram a tomar o veneno sicuta por “desvirtuar a juventude”. Qual foi realmente o motivo?

Socrates: Eu assumo que desvirtuei a juventude das mãos dos pretensos donos do saber, os sofistas de minha época, que julgavam que sabiam tudo. Fui veemente com eles mostrando-lhes que sob a luz da razão, quanto mais sabia, maior ficava o tamanho de minha ignorância.

Aragol: Ah… e sabe como chamaram historicamente isto? Douta Ignorância! A ignorância de um doutor, ou seja, de alguém que se supõe saber muito.

Socrates: Sim, a pitonisa havia dito que eu era o homem mais sábio mas eu não acreditei num primeiro momento. Então decidi pesquisar e vi que realmente devia ser verdade, porque a todos que perguntava sobre determinadas coisas, eles se julgavam conhecedores de tudo com respostas prontíssimas e impressionantes. Vi portanto, com todas as luzes das estrelas da noite e da nossa Estrela do dia, que o maior saber é a humildade de reconhecer o grande mistério da vida, da natureza e dos deuses.

Aragol: E como você quis tomar a sicuta para conhecer o grande segredo da vida que é a morte, adentrando-se nela pouco a pouco com a parálisis que produz progressivamente o veneno, você nos ensinou grandíssimas coisas com esta sua “morte”, Sócrates! Muitíssimo obrigado! Algo mais a perguntar-nos para dar à luz com sua Maiêutica?

Socrates: Humm….. isto é tudo por agora!

Aragol: ……. Respeito seu silêncio, Sócrates, e agradeço imensamente esta oportunidade de ter este diálogo com você, que sempre sonhei. Peço então a nossos facilitadores que compartilhem suas luzes educacionais em artigos inovadores de Liderança, Coaching e Consultoria, a partir do referencial de Suryavan Solar, dos grandes teóricos mundiais e de suas próprias experiências, criando novos caminhos para implementar uma formação de seres e líderes integrais para o século XXI.