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A Fonte

“Um jovem sentou-se à margem de um rio e pôs-se a observar-lhe os torvelinhos e ondas. Sentindo-se
penetrar suavemente em seu espírito, perguntou: ‘De onde virá este rio?’ E se foi em busca da
fonte.

Seguiu o rio até encontrar um braço mais longo que o resto. Mas, antes de poder comemorar a
descoberta, começou a chover e surgiram regatos por toda parte. Procurou aqui, ali, até deparar-se
com um braço que parecia mais longo que os outros. Já se felicitava quanto avistou um pássaro
pousado numa árvore, com o bico e a cauda a escorrer água. Estacou, voltou-se e olhou fixamente –
o bico da ave estava um pouco acima da cauda. Então o jovem apressou-se a voltar para contar sua
descoberta final.

Já em casa, as pessoas pediam-lhe para repetir a história de sua jornada e descoberta. Toda vez que
a contava, eles se espantavam e admiravam a façanha. Com o tempo, a narrativa da aventura
deixou-o tão fascinado que nunca mais voltou ao rio.

Um velho que o amava percebeu o perigo e correu em seu auxílio. Com voz clara e afetuosa, disse:
“Eu gostaria de saber de onde vem a chuva.”

E o jovem, em desespero: “Onde acharei uma escada para subir ao céu e contar tantas gotas de
chuva? Como acompanharei as nuvens?” Afastou-se e, para esconder sua vergonha, mergulhou no
rio e deixou que a corrente o arrastasse.

O velho pensou: “Aí está uma boa resposta, meu filho. Nade, sinta a corrente, deixe que o rio o leve.
Ele quer voltar para casa, fluir para sua fonte.” (Hunter Beumont)

Quando somos úteis aos outros, o sentimento de realização é pleno, e nos dá a capacidade de sentir
de uma forma mais intensa, o verdadeiro sentido da vida. Ao realizar um trabalho em que as pessoas
têm a oportunidade de experimentar e viver através do sentir, a realização do outro passa a ser
também a nossa realização. O sentimento é pleno, e o verdadeiro amor passa a fazer parte do nosso
cotidiano.

O Coaching Integral é assim! Tornando-o um processo objetivo com o direito de ser, entrando em
contato com a dor para promover o encontro com a alegria de realizar o que se deseja, o coachee se
autoconhece e o caminho para a sua realização é mais assertivo. É nesse processo, em que as
pessoas têm a oportunidade de se desenvolverem conectadas ao seu autoconhecimento, que o
sentido da realização se faz presente. É girando a Roda da Vida, vivendo todas as etapas e
desenvolvendo cada uma delas, que a prosperidade se faz presente, a felicidade é sentida com
intensidade, o aprendizado se conecta com a realização, e a liberdade se instala de maneira
poderosa, nos elevando na nossa integralidade.

Muitos de nós fazemos uma mistura entre “entender” e “compreender”. Eu os trato com uma
diferenciação, que tem contribuído constantemente, para a distinção entre ter razão e sentir com o
coração. Quando entendemos algo, estamos raciocinando sobre o assunto com nossos julgamentos
entre o certo e o errado. Quando compreendemos, podemos aceitar qualquer situação como o que
tem que ser naquele momento, ou para aquela pessoa. Podemos dessa forma, aceitar a história do
outro como diferenciada e única, e dessa forma temos a condição, enquanto coaches, de levar o
nosso coachee, à reflexão da adequação ou não de seus próprios atos, de suas atitudes, o que pode
conduzi-lo a decisões mais assertivas para a concretização de seus objetivos, de seus sonhos.
Somos seres sistêmicos, e por isso somos a representação do Todo. Em sendo assim, somos credores
quando damos e devedores quando recebemos. Nessa sintonia, precisamos dar ordem ao nosso
sentir para organizar a ordem dos sistemas. Todos os sistemas precisam de ordem e amor, e quando
olhamos para a dor do outro sem julgamentos e com compaixão, estamos permitindo ao outro o
sentir verdadeiro de sua própria individualidade. Essa atitude por parte do profissional, pode
proporcionar ao cliente o equilíbrio entre o dar e o receber, o que leva o sentir-se inteiro.
Quando recebemos a mais do que damos, ou damos mais do que recebemos, segundo Bert Hellinger,
ficamos em desequilíbrio nessa ordem, e nos desajustamos na nossa missão, nos descontrolamos nas
nossas relações. Nesse sentindo, em um processo de Coaching, precisamos ficar atentos para
percebermos como o coachee está se relacionando com o mundo. Como ele se posiciona diante da
tomada de decisão na realização de seus objetivos. É nessa direção, que podemos conduzir de uma
forma consciente os nossos clientes em Coaching, ao processo real de desenvolvimento do pensar e
sentir, para a adequação das ações de forma mais equilibrada e estruturada.

Na vida, necessitamos de trocas, não como peso, ou seja, um se dando mais que o outro na relação,
mas com confiança de que somos seres humanos, apesar de todas as diferenças. O que oferecemos é
necessário recebermos na mesma proporção nas relações. E é nessa sintonia, que convido a todos a
ligarem o seu autoobservador, para que possamos fazer diferença real na vida das pessoas, buscando
sempre a congruência entre nossas palavras, nossas atitudes, nossas ações enquanto profissionais
que se dedicam ao desenvolvimento humano na busca da integralidade.

Se é possível? É necessário!

É a partir da nossa congruência, daquilo que mostramos ao mundo e o que vivemos na realidade,
que passamos a viver o que nossa essência nos convida a viver, e assim somos capazes de nos
tornarmos autênticos, naturais e espontâneos, e passamos então, a inspirar as pessoas pelo o que
somos com naturalidade, sem a necessidade de nos apropriarmos de atitudes que não nos
pertencem, e podemos conduzir em uma mobilização permanente, aqueles que confiam em nosso
serviço e trabalho, para a construção de um mundo mais pacificador, mais acolhedor, com
possibilidades de avançarmos na evolução da condição humana, para a transcendência de nossos
pensamentos e ações.

É no sentir, que todas nossas ações fazem sentido!